A Direção nacional
da FASUBRA Sindical participou do lançamento do Plano Nacional de Educação
(PNE), projeto de lei que ainda precisa ser avaliado pelo Congresso Nacional, e
foi apresentado no dia 15 de dezembro, em Brasília, pelo ministro de educação
Fernando Haddad para o presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva. O PNE
estabelece [...]
A Direção nacional da FASUBRA Sindical participou
do lançamento do Plano Nacional de Educação (PNE), projeto de lei que ainda
precisa ser avaliado pelo Congresso Nacional, e foi apresentado no dia 15 de
dezembro, em Brasília, pelo ministro de educação Fernando Haddad para o
presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva.
O PNE estabelece 20 metas a serem cumpridas pelo
governo no próximo decênio.
Confira as 20 metas
do novo PNE
Meta 1: Universalizar, até 2016, o atendimento
escolar da população de 4 e 5 anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação
infantil de forma a atender a 50% da população de até 3 anos.
O atendimento das crianças de 0 a 3 anos de idade
voltou a ser meta do plano de 2011 a 2020. Desde o projeto antigo, a ideia era
que 50% das crianças estivessem matriculadas em creches. A Conae queria que o
prazo dessa inclusão fosse mais curto: até 2012. Até 2016, deveria haver a
universalização do acesso. Para Haddad, mesmo repetida, essa é a meta mais
ousada do pacote. A universalização das matrículas para as crianças de 4 aos 17
anos foi definida em 2009, pela Emenda Constitucional 59. “Para nós, o
financiamento dessa inclusão não está claro e não conseguiremos cumpri-la sem
dinheiro novo”, afirma Carlos Sanches.
Meta 2: Universalizar o ensino fundamental de nove
anos para toda a população de 6 a 14 anos.
A partir deste ano, isso já deveria ter ocorrido O
objetivo foi quase cumprido, mas o ministro Fernando Haddad admite que ainda há
crianças fora da escola. “Há 2% dos estudantes brasileiros nessa faixa etária
fora da escola. E eles já foram alfabetizados, nós sabemos disso. Precisamos
trazê-los de volta, por isso a meta está aí”, afirmou. Para o presidente da
Undime, a inclusão dessa meta foi “um cuidado positivo do MEC”.
Meta 3: Universalizar, até 2016, o atendimento
escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até 2020, a taxa
líquida de matrículas no ensino médio para 85%, nesta faixa etária.
Pela Emenda Constitucional 59, todos terão mesmo de
ser incluídos. Mas o desafio de garantir a permanência desses alunos na escola
é grande Em 2009, a taxa de escolarização líquida nessa faixa etária foi apenas
de 50,9%. Para tentar mantê-los estudando, o novo PNE aposta na diversificação
curricular, investimento na formação de professores, em equipamentos e
laboratórios e a criação de programas de correção de fluxo. Aumentar as
matrículas do ensino médio integrado ao profissionalizante e colocar o Enem como
seleção de vagas para o ensino superior também são estratégias propostas.
"É uma demanda estudantil, inclusive", justifica o ministro.
Meta 4: Universalizar, para a população de 4 a 17
anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais
do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de
ensino.
Sanches avalia que esse público foi bem
representado no plano. A proposta prevê o repasse de recursos suplementares
para atender esses estudantes, a implantação de salas de recursos
multifuncionais para atender necessidades específicas desses alunos e fomentar
ações que promovam a inclusão deles. “Um aluno não pode deixar de estudar
porque tem uma deficiência. Temos de adaptar uma escola para ele”, destaca o
ministro Haddad.
Meta 5: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os
oito anos.
Para isso, o plano define a estruturação do ensino
fundamental de nove anos com um ciclo de alfabetização de três anos. Orientação
do Conselho Nacional de Educação, a proposta é que os estudantes não sejam
reprovados durante esse ciclo. Eles ganhariam mais tempo para aprender a ler e
a escrever, mas nenhum poderia ser deixado para trás. O PNE também prevê a
aplicação de exames específicos para avaliar a alfabetização dos alunos, o que
já acontece com a Provinha Brasil, aplicada aos alunos do 2º ano do ensino
fundamental.
Meta 6: Oferecer educação em tempo integral em 50%
das escolas públicas de educação básica.
Essa também não será uma meta simples de ser
cumprida. Há 197 mil escolas de educação básica no País. Não há um dado preciso
sobre quantas escolas funcionam em regime integral no País. Financiadas por
recursos do MEC, são apenas 10 mil escolas, que atendem quase R$ 3 milhões de
alunos. O ministro acredita que uma saída será buscar parcerias com entidades
como o Sesc e Senai para garantir nessas entidades atividades no contraturno
para os alunos.
Meta 7: Atingir as seguintes médias nacionais para o IDEB:
|
IDEB
|
2011
|
2013
|
2015
|
2017
|
2019
|
2021
|
|
Anos iniciais do
ensino fundamental
|
4,6
|
4,9
|
5,2
|
5,5
|
5,7
|
6,0
|
|
Anos finais do
ensino fundamental
|
3,9
|
4,4
|
4,7
|
5,0
|
5,2
|
5,5
|
|
Ensino médio
|
3,7
|
3,9
|
4,3
|
4,7
|
5,0
|
5,2
|
Fonte: Ministério da Educação
As metas de qualidade não faziam parte do plano
anterior Por enquanto, o Brasil está cumprindo os objetivos previstos para cada
etapa. O repasse de mais recursos para os municípios com pior rendimento e que
tenham conselhos escolares ativos é bem visto pelas entidades ligadas ao setor.
A proposta agora é incluir uma avaliação de ciências na Prova Brasil – exame de
português e matemática feito por alunos da educação básica cujos resultados
compõem o Ideb – e incorporar o Enem ao sistema de avaliação da educação
básica. Não há prazos para isso e o ministro admite que o tema terá de ser
discutido com representantes de governos estaduais e municipais, já que o Enem
é não é feito por todos os alunos.
Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de
18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações
do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem
como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à
redução da desigualdade educacional.
A proposta é aumentar a escolaridade dos
trabalhadores brasileiros Dados analisados pela Síntese de Indicadores Sociais,
divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram
que somente 37,9% das pessoas com idade entre 18 e 24 anos tinham 11 anos de
estudo em 2009. E são poucos os que continuam frequentando a escola: apenas
5,4%. A formação profissional e técnica é considerada essencial para o
cumprimento dessa meta.
Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais
para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir
em 50% a taxa de analfabetismo funcional.
Esse é um dos desafios antigos, que já fazia parte
do plano decenal anterior O Brasil ainda possui 14,1 milhões de analfabetos com
mais de 15 anos. Fazer com que os brasileiros adultos não-alfabetizados voltem
à escola, para especialistas, é o grande empecilho para erradicar o
analfabetismo. Haddad acredita que, primeiro, outros áreas – saúde e
assistência social – precisarão se unir para encarar a tarefa. Além de oferecer
algum tipo de benefício para que o adulto se escolarize, o ministro acredita
que a falta de saúde visual impede muitos brasileiros de continuar estudando.
Na opinião da Undime, as estratégias para erradicação do analfabetismo foram
bem definidas.
Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de
educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos
anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Tornar a escola mais atraente e manter o aluno
estudando até o fim é um desafio também para cumprir a meta 8, que trata da
escolarização dos jovens adultos. O plano prevê a criação de uma ação nacional
para reestruturação e aquisição de equipamentos para as escolas públicas que
atuam com educação de jovens e adultos (o antigo supletivo).
Meta 11: Duplicar as matrículas da educação profissional
técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta.
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